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A pergunta que deveria calar

Todos conhecem as perguntas que aparecem toda vez que a sociedade acha que a sua vida não está seguindo o script. E as namoradinhas? Já terminou a faculdade? Quando é que vão casar? Já passou no concurso? E quando vão encomendar o bebê? Não vão querer mais um? Ainda não compraram uma casa? Quando vão trocar de carro?

"O Brasil quer saber"... muito embora não seja da conta de ninguém. Às vezes é uma pergunta inofensiva, às vezes só uma forma de puxar assunto, mas não existem formas menos invasivas de se jogar conversa fora? Quer dizer, podemos falar de tanta coisa - política, futebol, novela, música, comida, produtos de limpeza, cores de esmalte, até do clima... porque falar logo da intimidade do outro?


Dentre todas as perguntas, existe uma que é a mais cruel. Uma pergunta que nunca deveria ser feita, por ninguém. É a pior de todas, porque realmente não é da conta de ninguém... mais do que isso, é íntima demais pra que as pessoas achem que podem fazer disso um assunto para a conversa. Ninguém pergunta se você já fez sexo hoje, então porque perguntam por que você não tem filhos?

Todos os casais que não têm filhos têm uma razão para isso. Ainda que a razão seja tão simples quanto "ainda não pensamos nisso", "não queremos" ou "mas o casamento foi semana passada...". Existem outros motivos, alguns mais complexos, outros mais sensíveis... qualquer que seja o motivo, não há um cenário sequer em que a pergunta melhora as coisas de qualquer modo.

O casal não quer ter filhos. 
Talvez seja novidade para você, mas não há nenhuma lei que obrigue as pessoas a terem filhos. De fato, se existe algo totalmente ineficaz para convencer um casal a ter filhos, é a insistência das pessoas que não vão ajudar a fazer, criar, pagar as contas e acudir os choros da madrugada. Não é apenas um desperdício de energia, mas uma forma rápida de fazer com que o casal se afaste de você. Se você não é íntimo o bastante para conhecer e respeitar o desejo do casal, não tem intimidade suficiente para fazer essa pergunta.

O casal não quer ter filhos agora.
E não há nada que ninguém possa fazer a respeito. Ninguém sente vontade de engravidar porque os outros acham que agora é um bom momento. Não é assim que funciona. Ninguém manda no tempo dos outros, mesmo porque, ninguém conhece a vida de um casal tão bem assim pra achar que sabe quando é o melhor momento. Por outro lado, se a sua intenção for afastar um casal de amigos meio chato, essa pode ser uma boa tática. Com certeza eles passarão a te evitar se você ficar perguntando quando vêm os bebês.

O casal está tentando ter filhos.
Ninguém tem a obrigação de contar que está tentando engravidar. Mesmo porque ninguém mais precisa dessa informação. Essa tarefa é para ser cumprida na intimidade, e ninguém deve interferir. Parece até ridículo falar isso, mas muita gente - até mesmo, e principalmente, a família - começa a pedir contas quando sabe que o casal está tentando. A pressão já é grande quando ninguém sabe, e para quem pergunta, o risco de se colocar em uma situação realmente embaraçosa é muito grande.

O casal não está conseguindo ter filhos.
E você está lá, tocando na ferida, remexendo naquele pedacinho tão sensível da vida das pessoas que elas ainda nem conseguiram confidenciar. Mesmo que não seja nada demais, ainda que seja só por falta de sorte, ninguém quer falar sobre essa frustração quando perguntam "E aí, quando vem o bebê?".

O casal não pode ter filhos.
Pensa numa situação chata. É a saia justa em que ninguém quer se meter. "Vão ter filhos logo?" "Não, a gente não pode". Pra que passar vergonha à toa, perguntando sobre coisas que não te dizem respeito? É melhor ficar quieto.

E se não der certo...

Já faz algum tempo que divórcio não é mais um tabu. Se a nossa geração já conviveu com muitos pais divorciados, as próximas não parecem menos familiarizadas com essa configuração familiar. Os sociólogos falarão sobre a liquidez da vida moderna, sobre a nossa tendência a descartar mais do que apegar-se. 

Nesse contexto, o divórcio deixou de ser aquela ferramenta protegida por uma caixa selada com inscrições vermelhas que dizem "Em caso de perigo, quebre o vidro" e passou a ser uma espécie de seguro contra sinistros. Vamos casar e, se não der certo, a gente separa. Nesse momento começa a contagem regressiva para o divórcio.


Algumas coisas que fazem parte da nossa vida moderna não foram feitas para durar - usa, joga fora, compra outro - quanto tempo dura o seu celular? O novo é tão fácil, rápido e atraente que não consideramos consertar algo que estragou - quando foi a última vez que você foi na costureira, no sapateiro, no tintureiro?

Nossos avós tinham um arsenal de ferramentas, instrumentos e máquinas para consertar todo tipo de coisa dentro de casa, mas a nossa geração é quase inútil nessas competências. Somos mais bocós diante de um sistema elétrico do que nossos avós diante de uma tela touchscreen - pelo menos eles estão aprendendo.

Tenho notado no horizonte um "movimento dos reparadores", iniciativas como iFixit e Repair Cafe. Gente que não acha atentatório à dignidade sujar as mãos de graxa, que não tem medo de chave de fenda, que não precisa de ajuda pra fazer barra de calça e que encara o reparo como um estilo de vida. As razões são as melhores possíveis: salvar o planeta, economizar dinheiro, aprender novas habilidades...

Infelizmente não vejo o mesmo movimento de conservação de bens para conservar pessoas. Pelo contrário, cada vez mais inventamos manobras para facilitar o rompimento. A gente só namora que é pra não assumir muita responsabilidade... vai morar junto porque papel só serve pra dar trabalho na hora de desfazer... a gente casa porque, se não der certo, dá pra divorciar até no cartório.


A televisão mostra um casal completando décadas de casamento, e a pergunta que sempre fazem é: qual é o segredo?

Consertar relacionamentos dá muito mais trabalho do que consertar coisas. O investimento financeiro pode ser mínimo, mas o emocional é grande. Exige persistência, exige humildade, exige amor, exige abrir mão do controle, das alternativas. Casar é uma corrida de resistência, mas é em dupla, então a gente se diverte no caminho.

O casamento começa com "até que a morte nos separe", e não com "e se não der certo, divórcio". Não é um grande compromisso porque dura, ele dura porque é um grande compromisso. Eu me comprometi a trabalhar pela felicidade do outro pelo resto dos meus dias, até que a morte nos separe. É um compromisso diário de amar, mesmo quando eu não quero amar. Nessa mutualidade reside a felicidade conjugal.

Ambas as pessoas precisam estar alinhadas na convicção de que se não está dando certo, precisamos fazer dar certo, na certeza de que a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do relacionamento pertence aos dois, em igual medida. Encerrar um casamento porque não estava dando certo é desistir do outro. Incompatibilidade de gênios é a mentira que a gente conta para não dizer que cansou da convivência ou que não quer mudar para se relacionar melhor com as pessoas.

Aquele que não quer mudar, além de arrogante, é um solitário. Nenhum relacionamento em que você permanece o mesmo vale a pena. Os relacionamentos que merecem ser cultivados são aqueles que ensinam, que transformam, que moldam o nosso caráter e nos tornam pessoas melhores. Por esses vale a pena lutar. O segredo é não desistir.

Amar é uma escolha

Não faltam ditados para nos livrar da necessidade de explicar o que sentimos. Trabalhamos duro para separar razão e emoção, como se houvesse um interruptor que ativasse uma função, automaticamente desligando a outra. Separamos tanto, que escolhemos outro órgão do corpo, o coração, para lhe atribuir as escolhas mais insensatas, passionais e sem sentido.

Para discutir esse assunto, vamos começar deixando o romantismo de lado: o seu coração não tomou nenhuma decisão, todas as suas decisões são suas, tomadas por você, com o seu cérebro - lide com isso.


Vivemos num contexto que valoriza muito o passional e taxa a racionalidade como insensível, fria, cruel. Pessoas racionais são comparadas a máquinas, "robôs sem coração". Nessa dicotomia inútil, que julga ser possível separar o pensamento lógico das emoções, é importante saber o que significa passional e racional antes de lhes atribuir valores negativos ou positivos.

Quando falamos em emoção, passionalidade, "pensar com o coração", estamos falando de instintos. Não agimos com emoção, apenas reagimos. Ser completamente passional não significa ser uma pessoa boa, compassiva, amorosa, mas sim alguém incapaz de planejar, controlar os seus instintos, avaliar as circunstâncias ou mesmo agir de qualquer forma mais elaborada além do ciclo ação-reação.

O sistema límbico representa a parte mais primitiva do nosso cérebro. Essencial? Sem dúvidas. É a parte do cérebro que controla as emoções, a memória, onde guardamos os nossos hábitos e rotinas. É a parte que trabalha nos bastidores enquanto estamos ocupados prestando atenção em alguma coisa, é o que nos instiga a fugir e a lutar.

Quanto à racionalidade, nenhuma máquina é capaz de exercitá-la de modo tão complexo e genial como o ser humano. Ao raciocínio lógico devemos não apenas todas as comodidades da vida moderna, a nossa vida em sociedade, a organização das cidades, mas a nossa própria sobrevivência - ou você acha que os humanos teriam alguma chance de sobrevivência na selva sem o córtex pré-frontal?

De nada adianta ter o instinto de fugir e lutar se eu não sei se fico ou se corro. Saber controlar as emoções é tão importante quanto ter emoções. Tomar decisões, frear os instintos, prestar atenção no que você está fazendo. Controlar a agressividade, segurar o choro, providenciar a serenidade para dar a resposta certa quando a vontade é de sair correndo. Isso é o que o córtex pré-frontal faz por você.

Todo esse papo de neurociência para dizer uma coisa que você já sabia - o coração não toma, não tomou e nunca vai tomar decisões - e uma que você, talvez, precise aprender - você é responsável pelas suas decisões, até mesmo por aquelas que você pensa ser inteiramente passionais.

Você pode não ter escolhido se apaixonar, mas foi você quem escolheu nutrir a paixão - se não fosse assim, teríamos todos sérios problemas com a Fernanda Lima. Deixar a paixão morrer ou se envolver em um relacionamento? Essa é uma decisão que todos deveríamos ser capazes de tomar conscientemente.

O amor não nasce de uma reação química, não é um instinto, muito menos uma mágica no ar. Um relacionamento saudável - onde não há abusividade, simbiose, co-dependência... - não nasce de uma reação a um instinto, mas de uma decisão consciente. 

O relacionamento dura enquanto duas pessoas decidem, a cada dia, se amar. O relacionamento termina quando pelo menos uma dessas pessoas toma a decisão contrária. Sim, mesmo quando a relação termina com afetividade, respeito, amizade... o componente que faz toda a diferença entre fugir e lutar é o amor.

amar você, amar alguém, escolha o amor.
Não é fácil. Amar não é um piquenique. Quando se decide amar alguém, deve-se saber que não se trata de amar só nos dias bons ou quando o outro se comportar conforme as suas expectativas. Amar é resistir ao instinto de fugir e conscientemente ficar, é pensar em soluções, estratégias e ações para sair da crise, da fossa, do caos.

É preciso assumir as decisões que tomamos, mesmo aquelas que decidimos não tomar. Não foi o seu coração quem o colocou nessa roubada, foi você. Não existe saída mágica, existem escolhas. Nem sempre é fácil, muitas vezes dói, mas não há como escapar.

Amar é uma escolha.

O dinheiro e o casamento

Os assuntos que evitamos, aqueles dos quais não se fala em particular, muito menos em público, aqueles dos quais nós fugimos, são justamente esses pontos cruciais que colocam muitos casamentos em perigo. Sexo e dinheiro, então, são questões tão íntimas que é até falta de educação falar a respeito. 
Em vez de fugir do desagradável, vamos transformar o assunto desagradável em interessante enquanto falamos sobre dinheiro. (E se você ainda não leu, já começamos a falar sobre sexo aqui). Existem quatro princípios para que o dinheiro se torne uma fonte de qualidade de vida, e não de atrito, para o casal.

Trabalho, tempo e filhos

Se tem uma coisa que me deixa morrendo de dó é a creche em período integral. Os pais se privam da convivência com os filhos para prover o seu sustento. A criança acaba passando um terço do seu dia em uma rotina pré-formatada, pouco individualizada. Porque a criança tanto tempo na instituição, a escola assumindo obrigações que são da família: "ajudando a criar". 

Criança não precisa de dinheiro, de coisas, de presentes, de festas de aniversário super produzidas. Criança precisa é de tempo. Precisa conviver com gente, criar vínculos com os pais, receber estímulos, ter experiências.


Infelizmente, esse modelo existe para responder a uma realidade que corresponde à maioria dos adultos brasileiros hoje. Nós nos acostumamos com esse formato de trabalho em que as pessoas saem de suas casas e passam oito horas do seu dia tra-ba-lhan-do, como se esse fosse o único modo de se viver. E é assim que a creche em período integral deixa de ser um absurdo e passa a ser a coisa mais óbvia do mundo. Os pais precisam trabalhar oito horas por dia. Logo, a criança precisa passar oito horas... onde? Na creche.

Precisa? Qual é o ganho de produtividade em suas oito horas de trabalho, imaginando um cenário alternativo em que você trabalhasse apenas seis horas? E você sabia que uma jornada de seis horas corridas corresponde a um período integral, do mesmo jeito que as oito horas com intervalo pro almoço?

Se quisermos ter tempo para ter filhos, precisamos buscar alternativas à jornada fixa de quarenta horas fora de casa. Trabalhar menos, trabalhar em casa, trabalhar em horários alternativos, trabalhar em horários flexíveis. Não estou cogitando não trabalhar porque essa não é uma realidade pra mim (te contar uma coisa: eu gosto de trabalhar), mas talvez seja uma opção viável pra você?

Mas é estranho. É difícil tirar a formatação de fábrica da cabeça das pessoas. Elas olham torto, e perguntam "por que SÓ seis horas?" como se isso o tornasse um vagabundo. Elas veem quem "não trabalha" como um parasita na sociedade, se aproveitando do trabalho alheio. Eu trabalho em home office há anos, e às vezes ainda é difícil para as pessoas entenderem que estar em casa não significa estar desocupada porque é aqui que eu trabalho.

Não é como se não houvesse escolha. Se nesse momento você se vê sem opções (sério? sério mesmo?), alguma escolha que você fez lá atrás o colocou nessa posição. Ou talvez você apenas não está enxergando direito. OU você decidiu que algumas coisas são mais importantes e isso, minha gente, também é uma escolha.

Se eu trabalho três turnos para manter um padrão de vida que eu considero ideal porque a minha profissão não tem uma remuneração muito bacana, posso dizer que não há escolhas aqui? Quem escolhe a carreira, quem determina o padrão de vida, quem decide que é melhor trabalhar manhã, tarde e noite do que viver em um padrão inferior?

Atualmente nós (marido e eu) trabalhamos, entre o trabalho de hoje e a construção de projetos para médio e longo prazo, de oito a doze horas por dia cada um, frequentemente em fins de semana e feriados. Não temos filhos e queremos ter tempo para os filhos que queremos ter.

Escolhemos investir nosso tempo hoje, para colher amanhã. Nosso objetivo é conseguir trabalhar entre quatro e seis horas diárias cada um. Sim, cada um, em horários alternativos, porque criança merece ter tempo de qualidade com pai e mãe, da mesma forma que pais e mães têm idêntico direito a desfrutar da convivência com os filhos e de ser um casal. Não existe piloto e co-piloto nesse trabalho, somos corresponsáveis pelo lar.

Eu abro mão de um padrão de vida luxuoso, abro mão de responder imediatamente aos instintos maternos, abro mão de estabilidade e carteira assinada em nome de algo que pra mim vale muito mais: qualidade de vida em família.

Recomendo #3

Apenas muito amor pelos últimos posts do blog ❤ Não é maravilhoso conversar sobre aquilo que dá prazer? 

Começamos a terceira temporada (oi?) falando sobre a oitava maravilha do mundo, ou seja, sexo. Foi o pontapé inicial do assunto que será o tema das nossas segundas-feiras: relacionamentos, família, casamento e...sexo. Também falamos sobre o que fazer enquanto as séries estão em hiato e eu dei a minha dica para manter a bolsa organizada e não esquecer nada quando trocar de bolsa.
  • O texto sobre sexo nasceu de uma conversa com amigas casadas sobre como elas se sentem com relação ao ato sexual, que me deixou refletindo seriamente até a epifania dessa moça, que percebeu que não é obrigada a fazer sexo. 
  • Claro que ninguém é obrigado, mas nunca sentir prazer também é um sinal de alerta. Por que homens e mulheres enxergam o sexo de forma tão diferente? O que precisamos mudar nas próximas gerações?
  • A falta de libido também tem chamado a atenção de muitas mulheres para os perigos dos anticoncepcionais. Eu ainda não aderi ao movimento (não me sinto tão prejudicada pelo uso, o medo de engravidar nesse exato momento é maior), mas dou o maior apoio a quem está pensando no assunto!

  • Se você ainda está pensando qual série vai maratonar nesse hiato, o Papo de Homem fez uma lista com quarenta QUARENTA séries que já terminaram. Não vai ser por falta de opção, né?
  • Você já deve conhecer, mas vai que não? O Banco de Séries e o Episode Calendar são ótimas ferramentas para organizar as séries que você está assistindo. Eu uso os dois ao mesmo tempo simplesmente porque não consigo escolher entre o layout do EC e as funcionalidades do BdS. (Se você não tiver frescura com layout, corre pro BdS sem medo).
  • Que tal aproveitar o tempo livre para aprender alguma coisa? Eu recomendo o Duolingo para quem quer estudar idiomas. O Khan Academy é uma ferramenta maravilhosa para estudar matemática, para crianças e adultos. A Cíntia do Insignificativo fez um post sobre três sites que ela tem usado para aprender todo tipo de coisa na internet. 

No domingo dos namorados, falamos sobre cristianismo e namoro, ou seja, sobre namoro cristão. Um Deus que se importa com a sua felicidade não poderia negligenciar uma área tão impactante da sua vida. A treta da vez foi sobre o racismo e como dificultamos os problemas que não queremos resolver. Fechamos a semana falando sobre como passar o inverno sem passar frio nem vergonha e encerramos com a melhor seleção de links sobre os temas mais bacanas das últimas semanas #autoestima.
  • Essas cientistas políticas fizeram algumas pesquisas para averiguar dizeres do senso comum sobre as eleições. Por exemplo, será que a maioria dos parlamentares são brancos porque o eleitor é racista? Ou os corruptos estão no poder porque o eleitor é ignorante? Vale a pena ler as conclusões das pesquisadoras.
  • Um livro bacana para equilibrar opiniões sobre ideias extremas (alguém mais já cansou da palavra polarização) é O Caminho do Meio, de Lou Marinoff.
  • Ela não é Luiza, mas mora no Canadá e ensina como faz pra enfrentar o frio de lá, usando alguns princípios que já abordamos aqui. 
E você, tem algum link pra compartilhar sobre esses assuntos? Já escreveu alguma coisa nesses temas? Conhece um site super bacana, um vídeo ótimo, uma dica infalível? O que você recomenda? 

O casamento, o sexo e as mulheres

Com o tema do estupro de volta à tona (já perceberam como de vez em quando ele emerge à superfície, gerando uma comoção geral, para depois retornar às estatísticas que ninguém lê?), veio o tema do estupro dentro do casamento.

Eu não vou sequer entrar no mérito de que o corpo do marido pertence à mulher e vice-versa. Também não quero discutir se é estupro ou não quando a pessoa não está a fim, mas acaba consentindo.

O que eu quero discutir é o triste fato de que muitas mulheres casadas nunca fizeram sexo por tesão e o quão triste isso é, especialmente porque para muitas essa situação constitui a normalidade. A completa satisfação no casamento encontra barreiras em quatro erros transmitidos de geração em geração.


Encarar o sexo como uma obrigação inevitável

Variando entre a imposição "cumprir o seu dever de esposa" e a ameaça "senão ele vai procurar lá fora", muitas vezes até inconsciente. Quem não conhece uma história "dei pra ele não terminar comigo" ou "pra ele não pensar que eu sou frígida/travada/retrógrada". Obrigou-se a participar de uma relação que deveria ser livre, desembaraçada.
Falando de sexo com Mrs. Kim.
É comum que atividades obrigatórias sejam menos interessantes. A atitude com relação à tarefa obrigatória é negativa. Aquele livro chato que você leu na escola, mas que em uma releitura descobriu que na verdade não era tão chato assim. Fazer algo porque tem que fazer, e não porque quer fazer, já dá um desgosto antes mesmo de começar a tarefa.

Achar que o sexo é para satisfação masculina

Isso não é orgasmo.
Mulher que nunca teve um orgasmo. Mulher que não sabe se já teve (não teve - quem teve, sabe). Mulher que acha que o sexo é só essa sensação interessante, quente, ou até um pouco incômoda com a qual ela já se acostumou. Porque o sexo é aquela atividade que começa quando o homem tem vontade e termina quando ele goza. Bom, não ter que ser. A atividade sexual é muito mais prazerosa quando cada um está fazendo o seu melhor para satisfazer o outro. A busca egoísta Permita-se. Divirta-se. Você também tem direito.

Não conhecer o seu corpo

Divirta-se

Como se divertir se você não sabe do que você gosta? Como ensinar para o seu companheiro o que lhe agrada se nem você sabe o caminho? Claro que você pode fazer uma exploração a dois, mas ela não substitui o exercício de auto-conhecimento que só você pode fazer. Para ganhar mais intimidade com o marido, fique íntima de si mesma.

Não conversar sobre sexo

Mais intimidade, menos vergonha
E fingir que está tudo bem, quando você já sabe que não é bem assim. Converse com o seu parceiro e seja franca com aquilo que você não gosta e com o que você gostaria de tentar. Converse com pessoas que podem ajudar - amiga de confiança, ginecologista, terapeuta. Não adianta apenas reclamar para quem não tem nada a acrescentar, não compartilhe sua intimidade em vão.

Aproveite tudo de bom em seu casamento. Inclusive o sexo.